21
Outubro
17:00 — 18:30
São Miguel – Lava Jazz
Avenida Roberto Ivens

Ponta Delgada, 9500-239
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A nova obra poética Fragmentos da tua luz, de Orquídea Abreu, e edição Letras Lavadas, será apresentada no dia 21 de outubro às 17:00 h, por José Andrade, no Lava Jazz.

 

Opinião do crítico literário Domingos Lobo acerca de Fragmentos da tua luz:

“Cara Orquídea:

Comecei a ler os teus poemas quando a madrugada despontava no chilrear dos pássaros e a baía do Seixal se transformava num dos mais belos e translúcidos braços do Tejo. Há muito que não lia um livro assim, de harmonia feito, de palavras seguras, mesmo quando a efemeridade do Amor as atravessa; de limpidez, de quase confissão, no que esse acto tem de verdade, de busca, de entrega.
Não apagar a luz, eis o que estes poemas são, de resistência às coisas terrenas, nossas, tocáveis e quotidianas; mesmo quando o Amor, ou os anjos, que são coisas etéreas, fogo que arde sem se ver, percorrem o corpo plangente das palavras; mesmo quando os sentidos invadem esta poética que tem o Amor como leit motiv, rumor de essência e justificação do absurdo existencial.
A tua poesia, quando afirmas que inventas o amor, atinge o vértice inominável da função poética: a invenção, ou seja, o modo mais lídimo de dar substância ao que por dentro de nós é chama. Dar a ver, pelo prodígio das palavras, o Fogo que por dentro nos lavra. Como a invenção do dia claro, do Almada, estamos obviamente no território do metafísico, do que não sabemos ser mas que o poeta, que é um demiurgo compulsivo, plenamente intue, refaz e transfigura.
A poesia – e esta voz balança nesse chão de lava – é pois a arte da ressonância (pele, pulsação, vísceras, sangue) e da transmutação de tudo isso para universos mais vastos e complexos (o lirismo é a emoção elevada ao absoluto da transfiguração metafórica) em palavras, as palavras que na boca nos ardem e convocam à escrita. Uma pulsão sem refúgio, sem limites.
Este livro, com as irregularidades próprias de um corpo em movimento (não existe modo perfeito de respirar), dá-nos essa plenitude, essa paz, essa utópica e sensitiva centelha da felicidade possível.
Sentir e criar beleza é uma condição das almas sensíveis – e foi beleza, ductilidade, o que estes poemas me trouxeram.
A baía está rasa de água e voam estorninhos sobre as copas dos pinheiros mansos. Tudo está ordenado, e simples como um poema nesta manhã de domingo.

Domingos Lobo”

 

Imagem: Publiçor

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Detalhes

Data:
21 Outubro, 2017
Hora:
17:00 - 18:30
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