04
Jul
21:00 — 22:30
Pavilhão Municipal de Santa Cruz da Graciosa
Rua da Pesqueira

Santa Cruz da Graciosa, 9880-370
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Um Perigoso Leitor de Jornais, será lançado no próximo dia 4 de julho, às 21:00 h, no Multiusos de Santa Cruz da Graciosa, com apresentação de Manuel Jorge Lobão.

Um Perigoso Leitor de Jornais é um romance escrito com sabedoria e arte; ainda que em sua essência esteja uma memória concreta da ditadura, trata-se de uma obra que nos seduz como autêntica e autónoma literatura; é testemunho, mas também é construção de uma narrativa em que nada sobra, nada falta, e na qual a palavra situa-se na frase como se ali estivesse desde sempre. O leitor terá inúmeros momentos de autêntico prazer estético e, ao mesmo tempo, conhecerá um episódio real, desses que não temos o direito de esquecer, especialmente em tempos de ascensão de ideologias que podem desembocar em amargas recorrências.

A vida de um pacato carteiro começou a mudar num dia frio e chuvoso de 1937 no exato momento em que notou algo de estranho na correspondência que entregava numa casa da Rua d´Água, em Ponta Delgada.

Nos três anos seguintes, o carteiro acabou por ver-se progressivamente envolvido por uma teia de acontecimentos tecida quer pelo desenrolar desse incidente, quer pela sua insaciável curiosidade em saber o que o rodeava, na ilha, no país e no mundo, num tempo de grande complexidade política e social como foi aquele que precedeu o eclodir da Segunda Guerra Mundial.
Esse é o pano de fundo do mais recente livro de Carlos Tomé, neto do carteiro à volta do qual o escritor romanceia um acontecimento que abalou Ponta Delgada, mas a que os jornais locais não dedicaram uma linha sequer, amordaçados que estavam pela censura do Estado Novo salazarista.
“Um Perigoso Leitor de Jornais” é o título do romance, numa alusão irónica ao facto de a principal personagem, o carteiro sempre ávido de conhecimento e, por isso, incansável consumidor de tudo quanto se publicava na imprensa, ter sido preso e degredado sem nunca ter feito mais do que, exatamente, ler jornais.
Na Fortaleza de S. João Baptista, em Angra do Heroísmo, onde cumpriu a sua pena, o infortunado carteiro partilhou, com dez graciosenses também ali detidos, os sofrimentos impostos pelos impiedosos guardas do presídio.

 

Imagem: DR

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