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A festa em honra a Nossa Senhora da Estrela é uma tradição na Ribeira Grande que junta grupos ou ranchos informais de gente que durante a noite vão de casa em casa de amigos e conhecidos, e desfilam pela Rua Direita, finalizando com louvores à padroeira na igreja Matriz, na noite de 1 a 2 de fevereiro, encerrando o ciclo natalício que se abre a 8 de dezembro com Nossa Senhora da Conceição. Em 2019, comemora 25 anos. E a equipa editorial do Top Azores decidiu dar-te a conhecer um pouco mais sobre esta tradição. Tradição, essa, que depois se estendeu a outros concelhos, como Ponta Delgada, que já se realiza desde 1997, Lagoa, desde 2008, e Vila Franca do Campo.

*As informações retiradas para este artigo tiveram como base a entrevista de António Pedro Costa, responsável pelo Executivo Camarário que permitiu a reabilitação desta tradição secular na Ribeira Grande, e autor do livro recentemente lançado A Cidade das Estrelas, ao jornal Correio dos Açores (27-01-2019).

1. Quais são as origens do Cantar às Estrelas?

A festa tem as suas raízes pagãs, ligadas aos costumes de previsão de tempo, em que os romanos antigos percorriam a cidade à noite com archotes acesos, em honra do deus pastoril, de forma a tentarem interpretar as estrelas e prognosticarem os bons tempos para as sementeiras.

Após o Império Romano ser cristianizado, os cristãos adotaram a mesma tradição, mas, em vez de pedir auxílio ao deus pastorial, pediam-no a Nossa Senhora, substituindo também os archotes por procissões de velas, na noite de 2 de fevereiro, por ocasião da festa litúrgica de apresentação do Menino Jesus no templo, 40 dias após o Natal, encerrando o ciclo natalício.

2. Como se desenvolveu essa tradição na Ribeira Grande?

Segundo António Pedro Costa, no passado, os pescadores de Rabo de Peixe deslocavam-se a pé da freguesia até à Igreja Matriz da Ribeira Grande para verificarem de que lado estava o vento para prognosticarem as condições do tempo que iriam ter durante o ano. Com o passar do tempo, os costumes foram evoluindo e o povo aproveitou esta festividade para ir em muitos lugares de porta em porta cantando para angariar fundos para determinados fins culturais ou sociais. Começou por ser uma manifestação apenas de homens, que hoje se alargou a grupos ainda maiores, nos quais tanto mulheres como crianças de ambos os sexos também fazem parte.

3. Reabilitação da tradição e sua primeira edição

Esta velha tradição de se cantar a Nossa Senhora da Estrela foi retomada por iniciativa da Câmara Municipal da Ribeira Grande em 1994, cujo presidente, na época, era, precisamente, António Pedro Costa.

Inspirado na tradição de Rabo de Peixe, sua terra-natal, António Pedro Costa e seu Executivo Camarário decidiram organizar a festa, recuperando, assim, um costume tão antigo, em que Nossa Senhora da Estrela era Padroeira do Município da Ribeira Grande.

A primeira edição contou com a participação dos grupos corais das paróquias do concelho da Ribeira Grande, com 12 grupos típicos a participar no desfile, mas também com a charanga dos Bombeiros Voluntários, os Escuteiros, duas filarmónicas, a Associação Equestre Micaelense, a Academia de Música da Ribeira Grande, ranchos folclóricos do concelho e uma carruagem com a rainha do cortejo e as suas princesas.

4. Como se celebra esta festividade na atualidade?

Foto: Câmara Municipal da Ribeira Grande

No concelho da Ribeira Grande, a Festa das Estrelas está intimamente associada à celebração religiosa da Festa em Honra de Nossa Senhora da Estrela, padroeira da Ribeira Grande, que começa com uma missa votiva e tríduo preparatório. O dia principal da festa (2 de fevereiro) conta com alvorada e missa, que atrai bastantes devotos, e uma procissão patrocinada pela Filarmónica Triunfo e os Bombeiros Voluntários às 5:00 h da manhã.

Às 17:00 h, há uma missa solene com bênção das Alâmpadas e Te Deum.

Já o tão esperado desfile e seus tão característicos Cantares às Estrelas pelas ruas da cidade, com paragem no Largo do Município e atuação final na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Estrela, realizam-se na véspera (1 de fevereiro).

5. O que cantam os grupos populares?

O culto a Nossa Senhora da Estrela está tradicionalmente associado às boas sementeiras e pescarias, pelo que os cânticos às estrelas são muito diversificados, tendo apenas em comum a devoção a Nossa Senhora. Pelas ruas as vozes dos grupos ecoam no silêncio da noite, e as casas e estabelecimentos comerciais recebem a visita dos cantadores que são depois presenteados pelos donos das casas com “calzinhos” de vinho abafado ou anis caseiro, entre outras iguarias, em troca de uma cantoria particular.

6. Outras pequenas curiosidades:

Uma das razões para a grande adesão em participar no desfile e Cantar às Estrelas é o facto de esta festa permitir o convívio entre os  grupos.

É também tradição cada grupo levar cestas com algumas iguarias, como malassadas e biscoitos, além de licores, aguardentes e vinho, que serão partilhadas com os seus membros e trocadas com outros grupos “vizinhos”.

A concentração dos grupos é na Rua de São Francisco, perto do Museu Vivo do Franciscanismo e Centro de Saúde da Ribeira Grande. Os grupos depois desfilam pela Rua Direita, atuando, individualmente, no Largo Hintze Ribeiro (em frente à Câmara Municipal), culminando no interior da Igreja Matriz, em que cada grupo tem o privilégio de realmente cantar para a Imagem de sua Padroeira, Nossa Senhora da Estrela.

No final da atuação, os grupos juntam-se em confraternização, no Salão Paroquial, onde terão direito a bebida e a uma sandes, e poderão conviver pela noite dentro.

E tu? Já participaste alguma vez no Cantar às Estrelas? O que achas desta tradição? Comenta aqui ou publicação na nossa página do Facebook.

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