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Leitura de verão: Azorway

Almeida Maia – Pedro Maia para os amigos – é um autor açoriano em ascensão. Dizer assim soa a démodé, mas é a realidade. O Pedro surpreende-nos de livro para livro. E não nos surpreende apenas pelas tramas com que nos presenteia, mas pela considerável evolução enquanto autor/narrador de histórias, qual vinho do Porto ou do Pico, quanto mais envelhece, mais agradável sabe ao paladar.

Sou suspeito. No entanto, contacte-se com um dos seus livros para se perceber melhor. O Pedro começou por escrever um livro com um título ousado, incomodando mesmo o status quo vigente: Bom Tempo no Canal, a Conspiração da Energia, não fosse o título remexer com o passado intocável do nosso e grande Vitorino Nemésio. Passados quase dez anos, três edições quase esgotadas, a celeuma apaziguou e, hoje, olha-se para o livro já não com a indiferença de antanho, mas com a complacência e a tolerância dos habitantes da era global.

Pedro lançou depois o Capítulo 41: a Redescoberta da Atlântida e Nove Estações, livros diferentes em género e estilo, mas que só confirmaram que o talento despontava. O Capítulo 41 teve terceira edição e Nove Estações esgotou.

Com um passado recente assim, o futuro só poderia ser auspicioso.

O ano de 2019 trouxe-nos A Viagem de Juno, um thriller intenso e emocionante sobre um estranho objecto do qual depende o futuro da terra e do clima, um enredo que passa pelos Açores, mais precisamente pela Vila Franca do Mar, e enrola-nos numa fantástica viagem por inúmeras cidades do mundo, onde se cruzam e descruzam heróis e vilões que ora nos querem salvar, ora destruir.

Juno, neto de Lucas, um dos protagonistas centrais, empreende com o avô uma viagem periclitante que os levará à China e ao Médio Oriente, com outras paragens pelo meio. Como o cenário é 2050, e os aviões, por questões de segurança não podem voar mais, deslocam-se num trem tubular debaixo de água, o AzorWay, que liga as metrópoles do Planeta, avô e neto viajam à procura de uma solução para salvar o planeta e a humanidade.

De contornos bem modelados, construídos a partir de planos verosímeis, a galeria de personagens são uma amostra perfeita e realista do mundo que estamos já vivendo ou que vamos viver em breve. Um mundo em convulsão ante as mudanças anunciadas.

Um livro transbordante de traquitanas futuristas, descritas com um grau de realismo equilibrado, sem excessos bacocos. Aliás, a dose de perseguições, tiros, fugas, tecnologia futurista, cidades flutuantes, criopreservação, entre tantas coisas, foi medida ao ponto de não nos maçar em demasia, de não parecer demasiado irrealista. E para que isso tudo parecesse realista e possível, este A Viagem de Juno esconde uma densa bibliografia técnica, científica e sociológica, que embora não revelada, pode ser facilmente encontrada numa livraria ou biblioteca.

Sem mais derivas discursivas, este é o livro perfeito para um Verão na praia ou no campo. Mas também é o estalar da qualidade de uma nova geração de autores que temos para dar e oferecer ao Mundo.

Luís Soares Almeida

Diretor Editorial da Letras Lavadas

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