03
Março
9:30 — 17:30
São Miguel – Museu Carlos Machado (Núcleo de Santo André)
Rua do Dr.Guilherme Poças, 65

Ponta Delgada, 9500-075
A carregar Eventos

Inaugura na sexta, dia 26 de outubro às 17h30, “A origem do mundo”, de Miguel Palma, no núcleo de Santo André do Museu Carlos Machado. Entrada livre.

 

Miguel Palma vive e trabalha em Sintra e expõe regularmente desde 1988. O seu trabalho, maioritariamente produzido no campo da instalação, inscreve-se numa tendência de re-apropriação da experiência que marcou a arte na década de 90 e que se procura afirmar contra a progressiva alienação dos processos de produção. Em muitas das suas obras encontramos um quase infantil deslumbramento com o “fazer”, que se espelha num encantamento pelos materiais e pela manufactura. Decorre também desta ideia a frequente produção de maquetas, sendo que a maqueta ou a miniaturização radica num impulso apropriativo que supõe uma disposição metonímica. Esta é, aliás, a condição “sine qua non” para a própria ideia de modelo, pedra angular da abordagem científica e do método experimental em que o autor baseia a sua produção. ¶ Miguel Palma expõe um universo estranhamente desabitado onde a máquina ou o sistema são omnipresentes e auto-suficientes excluindo qualquer participação do humano. Vejam-se alguns exemplos: Engenho (1993), uma viatura artesanal capaz de percorrer grandes distâncias tal como o artista demonstrou na viagem inaugural; Carbono 14 (1994), uma maqueta de um corte arqueológico mostrando os equipamentos da nossa civilização como se tivessem sido soterrados por diversos geo-estratos. Estamos perante uma revisitação do mais moderno dos fantasmas, que ainda não cessou de nos assombrar: a “máquina celibatária”. Que, na verdade, não é uma máquina mas sim uma figuração do inumano enquanto “existential closure” (“finalização existencial”). As instalações de Miguel Palma remetem para essa inquietante tensão entre a pungência dos materiais, a densidade das coisas e a automatização do propósito. Uma das suas últimas obras Secretária Ilustrada (2003), uma secretária em cujo tampo foi inserida uma mini-paisagem, é testemunho dessa tensão, que aqui reaparece inscrita entre a burocracia e a vertigem romântica. Em 2005, realizou o Projecto Aríete, uma “road trip” pela Europa e seus principais museus num veículo próprio, alterado pelo artista.

 

Cartaz: DR

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Detalhes

Data:
Março, 3
Hora:
9:30 - 17:30
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