30
Junho
8€
21:30 — 23:00
São Miguel – Arquipélago – Centro de Artes Contemporâneas
Rua Adolfo Coutinho de Medeiros, s/n

Ribeira Grande, 9600-516
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O velho homem sai todos os dias do hotel por volta das duas e meia da tarde, sempre impecavelmente vestido. Na sua carteira em pele de crocodilo, um único cartão: o seu bilhete de identidade. Senta-se na esplanada do mesmo café, onde no passado se encontrava com os seus amigos e companheiros de estrada, já todos mortos ou a viver no campo, fuma um cigarro ou dois e almoça um prato de lentilhas. Depois vai dar o seu passeio diário pelo jardim, onde se senta a observar as mulheres belas e a meditar sobre a arte da vida. Vê todos os dias coisas extraordinárias. Já estaria certamente morto, se tivesse um apartamento para ficar a pensar atrás das cortinas. Caminhar, caminhar, caminhar para observar e desfrutar a vida. Mas o que pensa este homem? Como sopram tão fortes ventos de liberdade e revolta em tão monocórdica rotina?

Hotel Louisiana Quarto 58 é uma peça de teatro livremente inspirada na vida e obra do egípcio Albert Cossery (1913-2008), um retrato de um homem que viveu como as personagens dos seus livros, acreditando que a verdadeira riqueza é o tempo para a contemplação da beleza e turbulência do mundo, e que o desprendimento de tudo o que nos ensinam, todos os dogmas e valores, é a condição necessária para cada um fazer a sua própria revolução. Mestre de uma literatura de combate a todas as formas de autoritarismo e valores hegemónicos que nos moldam e transformam em corpos escravizados pelos ciclos de trabalho, produção e consumo, e de uma singular e diletante filosofia de vida, na encruzilhada entre o Ocidente e o Oriente.

 

NOTA BIOGRÁFICA

João Samões (Lisboa, 1970). Encenador e dramaturgo. Trabalhou desde 1990 em projetos nacionais e internacionais de teatro, performance e dança. Criou as peças: “18 Minutos” (2000), “Zonas de Ruidosa Influência” (2004), “O Labirinto a Morte e o Público” (2007), “Blackout” (2008), “África Fantasma” (2010-2013), “O Papagaio de Céline” (2014), “Hotel Louisiana Quarto 58” (2016). Encenou em Portugal textos de autores como Frantz Fanon, Louis-Ferdinand Céline e Albert Cossery. O seu trabalho tem sido apresentado e apoiado por teatros e instituições como a Fundação Calouste Gulbenkian, Centro Cultural de Belém, Culturgest, Teatro Municipal de Almada e Teatro Nacional São João.

 

Uma co-produção Debataberto e Teatro Nacional São João, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian.

 

Na Blackbox. Lotação limitada.

 

Foto: DR

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