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Dia 15 de dezembro celebra-se o Dia Internacional do Chá, e o Top Azores decidiu abordar a plantação e fabrico de chá nos Açores.

O chá é cultivado, produzido e consumido há mais de um século nos Açores, sobretudo na ilha de São Miguel, onde atualmente existem as duas únicas unidades de produção agroindustrial de chá da Europa:Porto Formoso e Gorreana.

Introdução do chá nos Açores

A entrada do chá na Europa ficou a dever-se ao reino de Portugal, que o importava da China para Lisboa e dali para outros destinos europeus, no século XVII.

A introdução do chá na ilha de São Miguel não reúne consenso por parte de alguns investigadores, no que respeita à data e à maneira da sua vinda para solo açoriano. Crê-se que as primeiras sementes de chá foram trazidas do Brasil, para São Miguel, em 1820, por Jacinto Leite que as semeou na sua propriedade nas Calhetas, na Ribeira Grande.

O investimento no chá para fins comerciais deveu-se à decadência da produção de laranja, que entrou em declínio em meados do século XIX. Os agricultores micaelenses, através da Sociedade Promotora da Agricultura Micaelense, procuraram novas produções mais rentáveis, uma das quais a do chá.


 Lau-a-Pan e Lau-a-Teng ensinaram aos açorianos as técnicas tradicionais de produção de chá

No entanto, os agricultores insulares não tinham conhecimento sobre como se fazia a produção de chá. Daí a contratação em Macau de dois chineses, Lau-a-Pan (mestre) e Lau-a-Teng (ajudante), que chegaram a São Miguel no dia 5 de março de 1878, vindo ensinar as técnicas tradicionais de preparação do chá. 

Nos Açores, a primeira produção industrial de chá teve lugar na ilha de São Miguel, na plantação do Chá Canto, localizada na Caldeira Velha da Ribeira Grande, sendo seu proprietário José do Canto.

José do Canto, o pioneiro na produção industrial de chá nos Açores

No início do século XX observou-se o aparecimento de novas fábricas, assim como a modernização das existentes. Porém, o protecionismo oferecido pelo Estado Português ao chá oriundo da então África portuguesa, entre outros fatores, levou a partir da década de 50 ao encerramento sucessivo das várias fábricas da ilha, acabando por sobreviver o Chá Gorreana. Já no final do século, deu-se o ressurgimento do Chá Porto Formoso.

A agricultura do chá

Plantações de chá da Gorreana

É na costa norte da ilha de São Miguel que se encontram as únicas plantações de chá na Europa para fins industriais. A colheita das plantas de chá da variedade “china”, Camellia sinensis var. sinensis, tem início a partir de meados do mês de abril e termina em setembro, época em que a planta dispõe de boas condições de temperatura e humidade para o seu desenvolvimento.

Os métodos de propagação da planta de chá são normalmente efetuados por dois processos: via seminal e a propagação vegetativa.

As sementes são normalmente colhidas, de outubro a dezembro, em plantas destinadas à colheita de folha que apresentem boa rebentação.

A época ideal para a plantação corresponde ao período de inverno, quando a planta se encontra em repouso vegetativo e os valores de humidade do solo são elevados.

Recriação histórica da colheita de chá na Fábrica de Chá Porto Formoso

Em São Miguel, a colheita tem início a partir de meados do mês de abril e termina em setembro, procedendo-se, normalmente, a uma apanha de catorze em catorze dias. A apanha é feita mecanicamente em plantas a partir do quinto ano de vida. É uma operação que exige habilidade, conhecimento e experiência, para que seja efetuada corretamente.

Chá Branco dos Açores

Chá da variedade índia nas Sete Cidades. Foto: LUSA

A introdução do chá variedade índia (Camellia sinensis var. assamica) foi em 1985, pelo Serviço de Desenvolvimento Agrário de São Miguel, que adquiriu as sementes na Estação Experimental de Chá da África Central, no Malawi. Os viveiros foram instalados nos terrenos do Posto Agrícola da Ribeira Grande, sito na estrada regional da Ribeirinha.

Atualmente, estas plantações encontram-se na Ribeira Grande e nas Sete Cidades, mas devido à inexistência de equipamentos adequados para levar a efeito chás muito processados, deu-se início a experiências na produção de chá branco, em que o material colhido (botão e duas primeiras folhas) era apenas murcho e seco num secador solar construído pelo Serviço de Desenvolvimento Agrário.

O chá obtido foi muito bem aceite pelos provadores, demonstrando ser um chá branco de qualidade.

Fábrica de Chá Gorreana


Plantações de chá da Gorreana

A existência de chá na Gorreana remontará aos anos 1870, quando ali se ensaiaram os primeiros plantios de Camellia Sinensis, por ação de D. Ermelinda Pacheco Gago da Câmara, senhora do lugar.

O ano de 1883 testemunhou a produção do primeiro quilo de chá na Gorreana, data que é assumida como a de fundação da fábrica.

Maquinaria da Fábrica da Gorreana

Hoje a Gorreana fabrica anualmente cerca de 35 toneladas de chá, um valor bem longe do simples quilo que produziu no primeiro ano em que entrou em atividade; comercializando, dentro do chá preto, as variedades “Moinha”, “Broken Leaf”, “Pekoe”, “Orange Pekoe”, “Ponta Branca” e “Oolong”, e, no chá verde, as variedades “Hysson”, “Encostas de Bruma” e “Pérola”; produtos naturais, em cuja cultura e transformação não são utilizados produtos químicos, incluindo corantes e conservantes.

Gorreana: Uma simbiose perfeita entre tradição e modernidade

A Fábrica de Chá Gorreana – sob a orientação de Madalena Hintze Motta e de Sara Hintze Motta – a sétima geração familiar à frente do seu destino, constituiu-se como um autêntico ecomuseu, elaborando um produto cultivado na natureza que a envolve, transformado, em pleno século XXI, por máquinas e técnicas centenárias.

Fábrica de Chá Porto Formoso

Plantações de chá da Fábrica de Chá do Porto Formoso

A Fábrica de Chá Porto Formoso laborou, com base em processos mecânicos, entre os anos 20 e 80 do século XX. Em 1998, os atuais proprietários iniciaram as obras de recuperação da fábrica, sendo reaberta no dia 31 de março de 2001.

O processo de fabrico tradicional “ortodoxo” seguido na Fábrica e Chá Porto Formoso compreende as seguintes fases: murchamento da folha, rolagem, oxidação, secagem e seleção, tudo através de processos naturais totalmente isentos de aditivos.

A Fábrica de Chá Porto Formoso produz chá preto pelo processo ortodoxo dos tipos Orange Pekoe, Pekoe, Broken Leaf e Azores Home Blend.

O Pekoe é proveniente da segunda folha e tem um paladar e um aroma menos acentuados. O Broken Leaf resulta das partículas das diferentes folhas e é um chá menos aromático, mas mais suave. O Azores Home Blend é uma mistura das três variedades, com o sabor tradicional do chá caseiro.

Preparação de um bom chá

Para se preparar um bom chá dos Açores, em primeiro lugar, é fundamental dispor de água de boa qualidade, canalizada ou engarrafada. A temperatura ideal para a extração por infusão dos componentes do chá benéficos para a saúde é de 70º C para o chá verde e de 70-90º C para o chá preto; e o tempo de extração mais recomendado é de 3-5 minutos. Segundo, depois de escaldado o bule, colocar nele três colheres de chá com folhas para um litro de água. Finalmente, verter a água sobre a folha de chá, coloque a tampa no bule, durante 3-5 minutos (conforme o gosto de cada um, sendo que fica mais adstringente com o prolongamento do tempo), obtendo-se assim o característico aroma e sabor do chá, pronto a beber. 

Informações retiradas do livro Chá dos Açores, com coordenação de Virgílio Vieira, Letras Lavadas Edições.

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Neste Inverno, em vésperas de Natal, nada melhor que um chazinho dos Açores para aquecer o corpo e a alma. Qual o seu chá preferido? Comente aqui ou na nossa publicação na página de Facebook.

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