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A revista literária Grotta – arquipélago de escritores será lançada no dia 10 de janeiro às 17:30 h, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Ponta Delgada. Este projeto da editora Letras Lavadas é dirigido por Nuno Costa Santos e conta com coordenação editorial de Diogo Ourique, mas estará já à venda a partir de segunda-feira (7 de janeiro) na Tabacaria Açoreana, em Ponta Delgada, e na nossa livraria online Letras Lavadas.

Seguir-se-á uma pequena amostra do que poderás ler no terceiro número da revista grotta!

Entrevista, textos e poemas de Emanuel Jorge Botelho

Emanuel Jorge Botelho é o escritor e poeta homenageado no terceiro número da revista, logo não poderás deixar de apreciar a sua entrevista tão bem conduzida por Nuno Costa Santos e João Pedro Porto. As respostas de Emanuel Jorge Botelho são no dizer de Nuno Costa Santos «como que poemas e aforismos. Revelam a atitude coerente de quem, com os anos, foi depurando a palavra, conservando só o essencial aos olhos do leitor».

«Em criança, muitas vezes dei por mim a tocar a realidade como se ela fosse um segredo que eu levava para um lugar solitário com intuito de o abrir devagarinho. Era uma espécie “jogo” que me assustava muito. Com o passar dos anos, esse “jogo” tomou conta dos meus pulsos e foi no seu tabuleiro que joguei o desbravar, doloroso, da verdade.

Quem escreve, sabe do que falo. Porque falo da traição de cada sombra. No fim, o que fica, é o resultado de um arremesso. As palavras que o ver nos dá são atiradas, como setas, para um alvo branco que nos é (?) desconhecido. Quando se acerta, toca-se no invisível.

O que vemos, não é a face do que se vê…».

Emanuel Jorge Botelho

Diários:o primeiro ano sob o signo vulcânico, por Gonçalo Tocha

O cineasta e músico lisboeta Gonçalo Tocha conta, em jeito de diário, como foi o seu primeiro ano a viver nos Açores, por motivos profissionais, em agosto de 2017.

«As rivalidades entre ilhas são suicidas porque não se baseiam em nada de concreto, como por exemplo um clube. Não há bruma, humidade ou isolamento que possa ser mais cruel do que escolher de entre 9 ilhas uma ilha para viver. E o poder político aprecia, obviamente, a divisão social para reinar».

Gonçalo Tocha

Abordagem ao universo estilístico-simbólico da poesia e do romance de Adelaide Freitas, por Ângela Almeida

Adelaide Freitas (1947-2018) nasceu no Nordeste, na ilha açoriana de São Miguel. Com 17 anos emigrou para os Estados Unidos da América, onde, após a licenciatura, concluiu o mestrado e o doutoramento na City University of New York. Regressou aos Açores em 1978 e em 1979 iniciou a sua carreira de Professora e Investigadora na Universidade dos Açores, onde trabalhou sempre, embora tenha exercido outras funções públicas de destaque na ilha onde residia. É uma das principais vozes do universo feminino literário açoriano.

A Doutora Ângela Almeida, neste artigo, faz uma análise ao universo estilístico-simbólico da obra de Adelaide Freitas.

«É na arte poética do voo que se consolida uma morfologia da ilha, símbolo de centro e de útero materno, lugar de apartamento, lugar do sagrado e de aventura, Avalon.

Mas não só: a ilha-lugar-de-peregrinação e de iniciação está bem visível, quer em Viagem ao Centro do Mundo quer em Sorriso Por Dentro da Noite: em belos pedaços de poesia, lemos a configuração exterior e interior, dinâmica, da ilha».

 

Ângela Almeida

João de Melo: um navegador da Terra que não vive dos mas para os livros, por José do Carmo Francisco

Neste artigo, José do Carmo Francisco dá-nos a conhecer a biografia e obra do escritor nordestense João de Melo, mais conhecido pelo seu romance Gente Feliz com Lágrimas.

«”Tal como a imensa maioria dos nossos escritores, ele não vive dos livros, mas sim “para” os livros: «Sou um reformado do ensino e da diplomacia que agora se entrega a tempo inteiro à literatura. Houve uma altura (nos anos 90, os de maior sucesso livreiro e editorial) em que resisti à tentação de fazer de mim um profissional dos livros. Ainda bem que não o fiz. Trabalhei profissionalmente dos 17 aos 64 anos (quatro deles na tropa e na guerra), em paralelo com os estudos e com a escrita literária. Pude criar um ritmo criativo interior, com as vozes que me interessava ouvir, sempre no meu passo e na cadência de uma produção literária que se sustenta só da minha necessidade de expressão. Não recebo nem aceito pressões, nem ultimatos de publicação; não atravesso a rua só para ficar “do lado de lá”, não corro atrás de nada nem de ninguém, pois não dependo das vendas nem de calendários editoriais. Sou um falso lento na minha produção: passo a vida a emendar o que nunca está acabado. Não me ponho em bicos de pés para parecer mais alto. Não tenho críticas de favor — nem amigos nos jornais ou nos júris dos prémios literários. Foram muito mais os que perdi do que aqueles que me deram, até hoje. Por que razão se mencionam os prémios ganhos e nunca aqueles que perdemos”».

Citação de João de Melo

Dossier de poetas galegos

O dossier da grotta 3 é dedicado aos poetas galegos, em jeito de agradecimento pela publicação de textos de autores portugueses na revista de poesia galega Olga, dirigida por Vicente Araguas, coordenador responsável por este mesmo caderno.

Luz Pichel, Xosé María Álvarez Cáccamo, Xúlio López Valcárcel, Manuel Pereira Valcárcel, Manuel Forcadela, Román Rana, Fátima Rodríguez, Eva Veiga, Rafael Yáñez, Dores Tembrás, Diana Varela Puñal e Antía Otero são os poetas homenageados.

 

Emigrantes

Na grisalla húmida dun setembro,
á volta da escola,
os bisavós calados, na cociña;

ninguén explicara aquela intromisión,
aquelas roupas enriba da cama,
aquela tristura dos seus ollos,
nos meus, a desconfianza.

Ó meu bisavó gustábanlle as laranxas
e xiringábame zume ó partilas.
Ó pasear cantaruxaba sen abrir a boca,
marcando o ritmo coas mans,
e arrastrando os pés.

Meu bisavó era músico
e emigrara dúas veces:
a primeira vez, de mozo,
chegou a América,
a segunda vez, de vello,
á nosa casa.

 

Poema de Diana Varela Puñal

Dois florentinos esquecidos, por Vasco Rosa

Neste artigo o editor e pesquisador literário Vasco Rosa procura dar a conhecer dois escritores florentinos esquecidos, Pedro da Silveira e Alfred Lewis.

«Falecido em 2003, Pedro da Silveira continua por descobrir — e valorizar — no contexto directo da cultura açoriana, para não dizer nacional ou mesmo transnacional, dada a originalidade dos contactos literários que desde cedo estabeleceu, como poucos, com gente cabo-verdiana e brasileira das letras & artes, tornando a pequena e excêntrica ilha das Flores — de que ele muito se orgulhava de ser natural — um ponto geográfico de não menor valor. Motivos para esse desinteresse ou indiferença serão muitos, poderosos e até difíceis de erradicar, mas todos ganharíamos pelo menos um pouco em prestar atenção a este literato e à sua invulgaríssima acção cultural».

«Alfredo Luís ‘Alfred Lewis’ (1902-77 — filho dum baleeiro e garimpeiro de ouro nos Estados Unidos da América), cuja vida e obra nesse país viria a ser impactantemente aventurosa, quanto tardio foi o seu acolhimento nacional e regional: causa espanto — mas também melancolia ou tristeza — que tendo sido publicado por uma das mais prestigiadas editoras norte-americanas, a Random House de Nova Iorque, o seu romance autobiográfico de 1951, Home Is an Island, apenas tenha sido dado aos prelo em Portugal 59 anos depois, e por iniciativa, patrocínio e zelo duma fundação luso-americana que já conheceu melhores dias».

Moby Dick, de Herman Melville: uma (re)leitura com os Açores em fundo, por Victor Rui Dores

Victor Rui Dores destaca neste artigo a tradição baleeira açoriana e o reconhecimento além-fronteiras dos valorosos baleeiros açorianos, inclusive no grande marco da literatura internacional Moby Dick, de Herman Melville.

«De entre os membros da tripulação, seguem a bordo do Pequod um jovem marinheiro açoriano que, nos tempos livres, toca tamborim e dança, o que não deixa de ser curioso (cf. capítulo “Meia-noite no Castelo da Proa. Arpoadores e Marinheiros”). No capítulo “Cavaleiros e Escudeiros”, e referindo-se aos baleeiros açorianos, Melville escreve:
“Não poucos destes caçadores de baleia são originários dos Açores, onde os navios de Nantucket que se dirigem a mares distantes atracam frequentemente para aumentar a tripulação com os corajosos camponeses destas costas rochosas. (…) Não se sabe bem porquê, mas a verdade é que os ilhéus são os melhores baleeiros”».

Contos e poemas de diversos autores

Para além dos artigos referidos, nesta revista poderá ler contos e poemas de diversos autores. A edição deste ano da grotta conta com as participações de Blanca Martín-Calero, Eduardo Bettencourt Pinto, Judite Canha Fernandes, Fernando Martinho Guimarães, Ana Paula Costa, Victor-Hugo Forjaz, Teresa Canto Noronha, Norberto Ávila, Diogo Ourique, Jorge C., Humberta Araújo, Bruno Baldaia, Luís Rego, Maria João Dodman, Alexandre Borges e de João Rasteiro.

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